Riot Fest Chicago (2014) – Parte 1 – NOFX

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Na minha adolescência anarco-punk-sindicalista-poser, as minhas bandas preferidas eram Pennywise e Offspring. E o Smash, segundo disco do Offspring, era o meu álbum favorito. Quando eu descobri que a banda estaria fazendo uma turnê especial de 20 anos do Smash e que iriam tocar o disco inteiro, eu decidi que assistiria um dos shows. Só faltava escolher o lugar. E, nas minhas pesquisas, eu descobri o Riot Fest. Segue abaixo o modesto lineup da edição deste ano.

riotfest_lineup

 

O lineup já tinha me impressionado o bastante para querer ir, só que, além disso, esta seria a edição especial de aniversário de 10 anos do festival. E, para comemorar, além do Offspring tocando Smash, outras 9 bandas tocariam na íntegra os seus álbuns mais icônicos. Sendo estes:

The Offspring – Smash
Descendents – Milo Goes to College
NOFX – Punk in Drublic
Weezer – The Blue Album
Slayer – Reign in Blood
Jane’s Addiction – Nothing’s Shocking
Cheap Trick – Heaven Tonight
Samhain – Initium
Naked Raygun – Throb Throb
The Get Up Kids – Something to Write Home About

Simplesmente absurdo. Comprei o ingresso, comprei as passagens e fui pra terra de Al Capone.

Havia chovido demais nos últimos dias e ainda chovia quando eu consegui chegar no Humbold Park, depois de dois trens, um ônibus e 20 minutos de caminhada. E era muita lama. O lugar era imenso e era muito difícil se locomover de um palco para outro por causa do lamaçal que havia se tornado o gramado. Então eu tinha que escolher uma área onde eu ficaria o dia inteiro, porque eu perderia muito tempo tentando chegar em um outro palco. Fui para onde o Offspring tocaria e  cheguei a tempo de ver Stiff Little Fingers e Failure, mas a primeira na minha lista de preferênciads da noite era NOFX.

O fato de eles tocarem o Punk in Drublic inteiro, não fez muita diferença pra mim, porque este está longe de ser o meu disco preferido no NOFX. Acontece que, no ano passado, eles fizeram um turnê especial onde, além do disco supracitado, eles também tocaram The Decline em todos os shows. Pra quem nunca ouviu falar, essa música é um épico. Ela tem ~apenas ~18 minutos e quase não é tocada, porque é simplesmente grande demais! Ter a chance de ouvir essa música ao vivo, é algo que todo fã de NOFX sonha. Eu sonhava com isso.

O show tava muito bom. As músicas do Punk in Drublic sendo tocadas e a banda falando pra cacete entre elas, fazendo piadas e falando mal dos outros artistas do festival. Um típico show do NOFX. Tudo correndo bem. Até que as músicas do disco acabam, eles tocam “I Wanna Be an Alcoholic” e o Fat Mike fala: “Só temos mais 15 minutos, então essa é a última música”.

E a bateria de The Decline começa.

Quando eu percebi, eu já tava no meio da roda. Tava uma lama do cacete e ainda tava chovendo, então tava absurdamente escorregadio em alguns lugares e totalmente grudento em outros. Mas o povo tava lá se debatendo e se empurrando. E eu no meio, cantando (as partes que eu sabia, nas outras eram grunhidos) desesperadamente, enquanto as lágrimas escorriam. Finalmente! The Decline ao vivo! E esse show estava se tornando automaticamente um dos melhores da minha vida. Era sensacional. A platéia tava reagindo perfeitamente a todas as partes da música, variando entre porrada generalizada e porrada contida, com pausas para o headbenzi. Só não tinha muitos pulos. Porque era impossível.

A música tava chegando na última parte. A melhor de todas. A bateção de cabeça começa a ficar mais intensa, se preparando pra última roda, que seria a maior de todas. O Melvin grita: “SAVE US!”

E o Fat Mike não continua a letra. Para de tocar e fala pra banda parar: “Foi mal. Não dá tempo de terminar a música. Deu a nossa hora”. A platéia começa a xingar e vaiar. O Gogol Bordello começa a tocar no palco ao lado, numa pontualidade desgraçadamente incrível. A música tinha acabado mesmo. Foi uma das piores sensações de coito interrompido que já tive. E o Fat Mike ainda responde às vaias: “Ei! Não reclamem comigo! Eu não sou do Google, a culpa não é minha! É do Google Bordello!”

Punk in Drublic: Rdio Spotify | Youtube

The Decline: Rdio | Spotify | Grooveshark | Youtube (ao vivo)

  1. Perfect Government
  2. Scavenger Type
  3. Leave It Alone
  4. Dig
  5. The Cause
  6. Lori Meyers
  7. My Heart Is Yearning
  8. The Brews
  9. The Quass
  10. Dying Degree
  11. Fleas
  12. Linoleum
  13. Jeff Wears Birkenstocks
  14. Punk Guy
  15. Reeko
  16. Don’t Call Me White
  17. I Wanna Be an Alcoholic
  18. The Decline

Eu ainda tenho muita coisa pra falar do Riot Fest e pedi licença pros meus amigos para postar três dias seguidos. É o que eu vou tentar fazer. O máximo que pode acontecer é atrasar 😉

2 comentários em “Riot Fest Chicago (2014) – Parte 1 – NOFX”

  1. Excelente relato! Adorei ler sobre “The Decline”, me senti lá! Ficaria também bastante frustrada com o fim, mas ele avisou que só tinha quinze minutos, né? 😦

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