Alfa Mist – Antiphon (2017)

Antes de começar a escrever, te faça um enorme favor e só dá o play:

Fico muito contente quando sinto um baque forte nos primeiros segundos ao escutar um disco. Por conta disso venho aqui compartilhar esse delicado soco no estômago.

Alfa Mist é um produtor/rapper/pianista (este último, pelamor!) de Londres que já tinha assinado alguns trabalhos principalmente como produtor. Depois de uma conversa sobre bem-estar, familia, felicidades e afins com seus irmãos, resolveu transpor as percepções do papo em música. Durante toda a extensão do disco, podemos ouvir passagens dessas conversas intercalando ou se sobrepondo às músicas. Mas, na minha opinião, isso é só detalhe.

Ao escutar “Keep On” – faixa que abre o disco – pela primeira vez, eu sabia que estava me deparando com algo emblemático. É muito comum ouvirmos no hip-hop samples e influências diretas do jazz. Isso vem desde seus momentos iniciais até diálogos mais profundos contemporâneos, como no perfeito To Pimp a Butterfly do Kendrick Lamar. Entretanto, o que o Alfa Mist faz aqui é o caminho contrário: incorporar elementos do hip-hop ao jazz, abrindo a este segundo um mundo de possíbilidades.

Além de “Keep On”, que joga essa mescla na tua cara num solo de bateria inacreditável para um mundo de jazz e que te faz até esperar o drop the bass, podemos ver outros elementos nas outras músicas. Há muita repetição de estruturas melódicas e, ousando, flow mesmo sem voz em outras músicas como “Kyoki” ou “Brian”. Ainda seguindo com essa conversa com o hip-hop, temos “7th October” que não se limita à sonoridade e traz a lírica das rimas também. Em outras passagens, podemos ver um disco mais calmo, com um temperinho de soul como em “Potential” (música para dançar deitado) ou “Nucleus”.

Este disco, desde minha primeira audição, entrou para minha seleta lista de discos base. De que? Bem, acho que o tempo ainda vai dizer, mas fico no expectativa em ver mais sons com essa proposta (renovar o jazz além da virtuose) surgir. Porque, afinal, dá sim para curtir um som elaborado e ainda assim botar a mãozinha pro alto e sentir o groove.

Pode confiar e dá o play. Curtindo mesmo, fortalece o bróder lá dando uns trocados na página do disco no Bandcamp.

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